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Existe uma imagem rolando na internet e que tem sido muito compartilhada. Sabe? Dessas imagens que contém uma frase de efeito? Eu mesma já compartilhei porque é uma frase que diz muito para mim. Acho que todo mundo já leu “Sou inteira demais para ser metade de alguém”. Não sei quem foi a autora, mas tenho pensado nela ultimamente. Por que compartilhei? Qual foi o pensamento que levou essa mulher a chegar a uma conclusão dessas e principalmente, o que me levou a compartilhar a conclusão dela.
Eu sou inteira? Sim! Mas de quantas partes é formada toda minha integridade? E, principalmente, quantas dessas partes sou eu?
Quais das ideias que rondam minha mente são realmente minhas? Quais gostos? Quais crenças? Vocês já se perguntaram isso? Porque vocês pensam o que pensam?
Quando eu fui fazer faculdade, por volta dos 20 anos, eu saí da minha cidade natal e fui morar sozinha em outro lugar. Lembro-me da sensação de liberdade que experimentei com a ideia de morar longe dos meus pais. Incrível! Porém, na realidade, eu não me senti livre de maneira alguma. Eu era uma mulher jovem, livre e hiper sensualizada como deveria ser toda mulher negra. Cabelo escovado quase sempre, dietas mirabolantes, corridas incessantes para caber dentro de 50 e poucos quilos que deveriam se concentrar pelo menos metade distribuídos entre minha bunda, meus peitos e minhas coxas. Enfim, tudo que eu sempre quis! Ou que eu acreditava querer.
Hoje, alguns anos depois, eu descobri que não sou uma mulher de sexualidade exacerbada. Não que haja algum problema em ser, mas simplesmente, eu não sou. Eu acreditei na crença amplamente difundida de que a mulher negra é uma máquina insaciável de sexo e massacrei a minha essência e uma parte enorme da minha vida tentando ser. E era extremamente infeliz sexualmente. Era uma parte do meu inteiro que não era eu. Mas me fizeram acreditar que era ou deveria ser.
Passei a vida inteira tentando ter cabelos lisos. Em 2011, eu fiz meu Big Chop. Mas não foi uma decisão. Meus cabelos caíram após tentar fazer a química em casa porque estava sem dinheiro para o salão. O cabelo caiu todo na minha mão. Raspei com máquina 4 e continuei a fazê-lo por uns 4 anos seguidos. Eu não queria voltar a fazer química, mas não suportava ver meu cabelo enrolando na minha cabeça. Me achava feia. Muito feia. Minha alternativa do meio, foi ficar careca. Eu dizia que gostava. Eu acreditava que gostava. Passei anos da minha me sentindo muito feia.
Ano passado resolvi deixar os cabelos crescer. No começo, eu não gostava da minha imagem, mas olhando para mim e para as manas que saíam com seus crespos a mostra, comecei a enxergar beleza em nós. E me acho verdadeiramente linda com meus cabelos cacheados. A mulher que odiava cachos, era uma parte do meu todo que não era eu. Mas me induziram a acreditar que era e roubaram parte da minha essência, da minha liberdade e da minha autoestima.
E isso aconteceu também em relação a aceitação do meu corpo, a escolha da minha profissão (porque tinha quer ser uma profissão “de sucesso”, porque sabe como é, né? Negra tem que ser melhor para ser considerada igual. Levanta a mão quem nunca ouviu esse conselho dos pais, avós ou tios?), a escolha das minhas roupas, dos meus programas, livros, maquiagem, tudo.
Eu passei muito tempo me esforçando para ser alguém que na verdade, eu nunca quis ser! Perdi muitos anos de tranquilidade, de felicidade e satisfação para atender expectativas que sequer eram minhas. Mas eu acreditava, honestamente, verdadeiramente, integralmente que tudo aquilo era eu.
Por isso tudo Manas, eu convido vocês a olharem para dentro de vocês e esmiuçarem todas as partes dos seus inteiros para descobrirem quais deles são realmente vocês. Se algum de seus “desejos” ou “sonhos” te faz algum mal ou traz algum sofrimento, examine-os, porque eles podem nem ser seus de verdade.
Quando não paramos para olhar a nossa essência, gastamos tempo, dinheiro, disposição para atingir uma expectativa que nem nos contempla e que no futuro, só nos trará insatisfação e frustração. E, ao contrário, conhecer aquilo que realmente nos representa, nos leva a caminho da satisfação pessoal e da verdadeira felicidade.

assinatura Anja Arruda

 

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