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O feminismo é o mesmo para todas? Um erro de muitas pessoas que estão iniciando no movimento é achar que o feminismo é o mesmo para todas as mulheres, que todas têm as mesmas pautas e sofrem apenas com o machismo. Mas a realidade é que há variados tipos de opressão e inicialmente o feminismo contemplava exclusivamente a um perfil de mulher, branca – cisgênero – classe media – heterossexual.

O feminismo é o mesmo para todas?

 

Mas e quanto às outras mulheres, as que são pretas, periféricas, transexuais e lésbicas, elas também não sofrem? Com isso repito a pergunta: O feminismo é o mesmo para todas? 😐

 

Elas alem do machismo tem que lidar com outros tipos de opressão, como o racismo, a transfobia/homofobia, discriminação por classe e religião, e o feminismo branco não acolhe essas mulheres. Enquanto as feministas sufragistas lutavam para ter direito ao voto, para poderem trabalhar e pararem de ser vistas como sexo frágil, as negras estavam tentando ser reconhecidas como gente, saídas a pouco tempo de um sistema escravocrata, espaços continuavam sendo negados a elas.
Para atendê-las o feminismo interseccional surgiu como nova vertente, este faz uma inter-relação entre o racismo, machismo e classe social.O termo interseccionalidade foi patenteado pela professora Kimberlé Crenshaw em 1989,outras percussoras também foram Audre Lorde e Bell Hooks que criticavam o feminismo branco excludente.

O interseccionalismo ressalta que cada mulher tem uma especificidade diferente, que uma mulher branca e trans pode ser racista com uma mulher negra, ou um homem negro ser machista com uma mulher branca. Uma opressão não exclui a outra e nem dá passe livre para um grupo oprimido discriminar outro.

Não há hierarquias de opressão, como Audre Lorde disse: “Eu simplesmente não acredito que um aspecto de mim pode possivelmente lucrar com a opressão de qualquer outra parte da minha identidade. […] Dentro da comunidade lésbica eu sou Negra, e dentro da comunidade Negra eu sou lésbica.Qualquer ataque contra pessoas Negras é uma questão lésbica e gay porque eu e centenas de outras mulheres negras somos partes da comunidade lésbica. Qualquer ataque contra lésbicas e gays é uma questão Negra, porque centenas de lésbicas e homens gays são Negros. Não há hierarquias de opressão.”

Um grupo acaba pertencendo ao outro e todas as opressões surgem de uma mesma fonte.

Outro fato que incomoda é a sororidade sendo usada para silenciar mulheres (negras e trans). É fácil acompanhar na internet feministas que usam da empatia e irmandade entre mulheres para não serem alvo de críticas, que não gostam quando é apontado racismo e transfobia nas suas falas. Uma sororidade seletiva que só contempla algumas mulheres, que não aceitam ser problematizadas e usam o discurso de feministas negras quando lhes convém, fazendo as servirem de token para se livrar de acusações como racismo.

O conceito de feminismo interseccional não é baseado no umbiguismo e de combater opressão x ou y, é um coletivo em que é necessária empatia um pelos outros para lidar com um inimigo em comum. Não se pode hastear a bandeira do sororidade quando se está tomando lugar de fala de quem realmente tem prioridade e vivência. No feminismo não há certo ou errado, mas há quem te representa, e o feminismo negro interseccional enxerga as mulheres pretas e periféricas.

Dito isso você ainda acredita que O feminismo é o mesmo para todas?

 

 

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